Economia Brasileira

A leitura dos dados do PIB mostra uma expansão de 1,0% da atividade no segundo trimestre do ano em relação ao mesmo período do ano anterior. Pelo lado da oferta, esse resultado se manifestou em todos os grandes setores, apontando avanço de 1,2% nos serviços, 0,4% na agropecuária e 0,3% na indústria.

Gráfico 1 – Crescimento do Produto Interno Bruto – Variação no trimestre contra mesmo trimestre do ano anterior (%)

*As importações entram no cálculo do PIB com sinal negativo.
Elaboração: Gecon/Dieps/Codeplan com dados do IBGE

A mediana das expectativas de mercado, por sua vez, aponta em agosto um crescimento em 2019 pouco acima de 0,8%. Para o ano de 2020, porém, esse valor ainda se mantém em 2,1%, indicando que agentes do mercado parecem avaliar o fraco desempenho da economia brasileira como transitório ou com chances de ser revertido.

O mercado de trabalho reflete o quadro da economia, com taxa de desemprego ainda elevada, atingindo 11,8% no trimestre de maio-junho-julho de 2019, porém inferior à observada no mesmo período do ano anterior (12,3%).

No que diz respeito aos preços, o IPCA segue bem controlado no ano. Em grande medida, este movimento refletiu o comportamento dos grupos alimentação e bebidas, habitação e saúde e cuidados pessoais. Cabe notar que as medidas de núcleo seguem comportadas, com evolução em geral mais modesta que aquela observada no índice cheio.

Economia do Distrito Federal

A leitura do Idecon/DF apresenta quadro mais favorável no segundo trimestre, ainda que em ritmo ainda cadenciado. Na comparação com o mesmo trimestre de 2018, houve avanço de 1,7% no indicador.  No que diz respeito aos grandes setores da atividade, a Agropecuária variou 2,8%, os Serviços, 1,8% e a Indústria mostrou importante variação positiva de 0,9%. O destaque vai para o desempenho da construção civil: primeiro registro positivo desde antes da crise.

Gráfico 2 – PIB-Brasil e Idecon-DF – 1º Trimestre de 2015 a 2º Trimestre de 2019 – Variação entre trimestre e mesmo trimestre do ano anterior (%)

Fonte: IBGE e Codeplan. Elaboração: GECON/DIEPS/Codeplan

As pesquisas setoriais, divulgadas pelo IBGE, corroboram esse comportamento do primeiro semestre de 2019. A Pesquisa Mensal do Comércio Ampliada (PMC) aponta variação positiva, de 2,1% no volume do comércio varejista ampliado, no acumulado até junho.

Gráfico 3 – Idecon-DF – 2º Trimestre de 2019 – Taxa Trimestral – Setores de atividade econômica – Variação (%)

Fonte: Codeplan. Elaboração: GECON/DIEPS/Codeplan ¹Extrativa mineral e Eletricidade, gás, água, esgoto e limpeza urbana. ²Alojamento e alimentação; Atividades profissionais, científicas e técnicas, administrativas e serviços complementares; Artes, cultura, esporte e recreação e outras atividades de serviços; Educação e saúde mercantis; e Serviços doméstico; Transporte, armazenagem e correio e Atividades imobiliárias

Pesquisa Mensal dos Serviços (PMS), por sua vez, registrou retração de -0,8% no primeiro semestre, sendo que a maior retração ocorreu no segundo trimestre. Assim, é importante esperar os próximos meses para poder afirmar se esse comportamento foi pontual ou se configura uma tendência.

Entre os indicadores auxiliares destaca-se a expansão do saldo de crédito a pessoas físicas, que continuou no segundo trimestre e que influencia o consumo das famílias no Distrito Federal. Como pontos negativos, cita-se a debilidade da trajetória do saldo de crédito a pessoas jurídicas e a retração das exportações do DF, especialmente da indústria de baixa tecnologia e da cultura de soja.

Gráfico 4 – Saldo das operações de crédito (R$ valores a preços de julho de 2019) – pessoas físicas e pessoas jurídicas – jan/16 a jul/19 – Distrito Federal

Fonte: BCB – Séries Históricas – Elaboração Codeplan

Assim, a economia do DF tem mostrado uma aceleração em sua trajetória de recuperação, com importantes aumentos do nível de atividade de alguns segmentos, como a indústria e comércio. O mercado de trabalho e o comportamento dos preços corroboram esse movimento.

Análise de preços

Até agosto de 2019, a inflação em Brasília avançou em relação ao observado no mesmo período do ano passado – 1,97% ante 1,68% – mas segue bastante comportado. Não houve grupo específico de maior pressão sobre a inflação, o que contribuiu para seu valor ameno. Um fator de destaque é a tendência recente de elevação nos preços dos aluguéis residenciais no Distrito Federal.

Gráfico 5 – Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) – Variação acumulada no ano e em doze meses (%) – Brasil e regiões – agosto de 2019

Elaboração: Gecon/Dieps/Codeplan com dados do IBGE

Na comparação com as demais regiões pesquisadas pelo IBGE, Brasília apontou o terceiro menor avanço no acumulado de janeiro a agosto. No acumulado em doze meses, a inflação local, de 3,36%, segue abaixo do centro da meta perseguida pelo Banco Central (de 4,25%) e abaixo da inflação do país.

Gráfico 6 – IPCA – Categorias do Banco Central – Brasília – Contribuição em 12 meses (p.p).

Fonte: IBGE – Elaboração: GECON/DIEPS/Codeplan

Mercado de trabalho

A leitura dos dados da Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED) no trimestre maio-junho-julho de 2019 mostra um quadro mais favorável que o observado no trimestre encerrado em abril. Houve uma pequena redução na taxa de desemprego quando descontados fatores sazonais (18,4% ante 18,7%), tendo a taxa de desemprego atingido em julho seu menor valor no ano, em 18,0%. A taxa de participação permaneceu estável, com valores de 66,3% em abril e 66,2% em julho.

Gráfico 7 – PED – Distrito Federal – Evolução da taxa de desemprego e da taxa de atividade

Fonte: Codeplan. Elaboração: GECON/DIEPS/Codeplan

Os registros do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED/MTE) ratificam este quadro ao mostrar criação próxima a 5.000 postos formais entre maio e julho.  O número é superior ao observado no mesmo trimestre de 2018. Neste aspecto, cabe notar o bom desempenho do setor de serviços.

Gráfico 8 – CAGED – Saldo entre admitidos (+1) e demitidos (-1) por grandes setores e média móvel de 12 meses do saldo total – Distrito Federal – Agosto de 2018 a julho de 2019

Fonte: CAGED/Ministério da Economia; Elaboração: GECON/DIEPS/Codeplan

Projeções de Indicadores Econômicos

A perspectiva para os próximos meses no Distrito Federal é de tênues sinais de aquecimento na economia.

Tabela – Valores realizados em 2018 e projetados para 2019. Variáveis selecionadas – Distrito Federal (%)

Fonte: elaboração própria com dados do IBGE. Projeções: Gecon/Codeplan. Os valores projetados são obtidos por meio de ferramentas estatísticas e da construção de cenários, ambos sujeitos a incertezas inerentes aos métodos empregados e aos desenvolvimentos ao longo do tempo.

Espera-se que o IPCA siga controlado e termine o ano em 3,76%, abaixo do centro da meta, de 4,25%. A expectativa para a taxa de desemprego, medida pela PED, é que permaneça em um patamar elevado, mas com leve tendência de queda até o final do ano, atingindo um valor de 17,7%. Por fim, o bom resultado do comércio no mês de julho traz consigo uma previsão de alta de 3,4% no volume de vendas no comércio varejista ampliado, contabilizado na PMC, no acumulado em doze meses em dezembro de 2019.