1 – ÍNDICE DE PREÇOS AO CONSUMIDOR AMPLO – IPCA

Primeiramente, é importante destacar que o ano de 2020 trouxe modificações importantes na estrutura dos índices de preço divulgados pelo IBGE. Isso ocorreu em função da Pesquisa de Orçamento Familiar (POF/IBGE) realizada em 2017-2018 (a última POF tinha sido realizada em 2007-2008), que acompanha os hábitos de consumo e dispêndio da população brasileira, atualizando a cesta de itens e os pesos que constituem o IPCA e o INPC. Ao todo, 63 subitens deixaram de ser acompanhados na cesta de Brasília, como Locação de DVD e Telefone público, enquanto outros 61 foram incorporados ao índice, como Óleo diesel, Transporte por aplicativo e Serviços de streaming[1].

Como resultado dessas atualizações, foram iniciadas novas séries para os índices de preços das regiões pesquisadas. Assim, essa publicação trará ao longo do ano de 2020 apenas indicadores mensais e acumulados no ano para os índices de Brasília, retomando em dezembro de 2020 suas análises dos resultados acumulados em doze meses.

No primeiro mês de 2020, o IPCA de Brasília variou -0,12% em relação a dezembro de 2019, quando havia registrado 1,62%. Foi a terceira menor inflação entre as 16 regiões pesquisadas pelo IBGE, atrás de São Luís (-0,19%) e Rio Branco (-0,21%). Já o Brasil apresentou variação de 0,21%.

Gráfico 1 –Variação (%) mensal do IPCA – Brasil e Regiões Pesquisadas – Janeiro de 2020

Fonte: IBGE/ Elaboração: Codeplan/Gecon-Nupre

O índice é resultado principalmente da contribuição negativa do grupo Transportes e positiva do grupo Habitação. Esses dois contribuíram com, respectivamente, -0,22 p.p. e 0,05 p.p. no índice geral. No caso de Transportes, a variação mensal foi de -0,99%, devido à retração nos preços da Gasolina (-1,87%) e da Passagem aérea (-7,69%) – esta última já esperada por questões sazonais do início do ano, quando a demanda é naturalmente menor do que em dezembro – que superaram o reajuste das tarifas de Ônibus urbano. Do outro lado, os preços do grupo Habitação avançaram 0,34% no mês, principalmente em função da variação de 1,42% no Condomínio.

Gráfico 2 – IPCA – Variação mensal (%) e contribuição (p.p.) de cada grupo – Brasília/DF – Janeiro de 2020

Fonte: IBGE/ Elaboração: Codeplan/Gecon-Nupre

Tabela 1 –  IPCA – 10 maiores e menores contribuições (p.p.) e respectivas variações mensais (%) por subitens – Brasília – janeiro de 2020

Fonte: IBGE/ Elaboração: Codeplan/Gecon-Nupre

O IPCA do Brasil acumula, em doze meses, 4,19%. Com isso, o indicador se encontra acima, ainda que próximo à nova meta de inflação perseguida pelo Banco Central em 2020, de 4,00% (ante 4,25% para o ano de 2019). As faixas superior e inferior se mantêm no intervalo de 1,50 p.p., resultando em um limite superior da meta de 5,50% e inferior de 2,50% para o ano.

O valor para inflação nacional projetado no Boletim FOCUS para 2020 é de 3,40%[2], sinalizando uma expectativa de inflação bem controlada para o período.

Gráfico 3 –  IPCA – Variação percentual acumulada em 12 meses – Brasil e Brasília* – Janeiro de 2020

Fonte: IBGE/ Elaboração: Codeplan/Gecon-Nupre.
*Conforme mencionado no ínicio deste texto, as análises para os índices acumulados em doze meses para o Distrito Federal só serão possíveis a partir de dezembro de 2020, em função de suas novas estruturas.

2 – ÍNDICE NACIONAL DE PREÇOS AO CONSUMIDOR – INPC/BRASÍLIA

O INPC – índice que mede a inflação das famílias com rendimentos entre um e cinco salários mínimos – registrou queda de -0,04% em janeiro. O valor acima do registrado no IPCA (-0,12%) deve-se ao fato que o Ônibus urbano (alta de 5,00%), principal pressão inflacionária do mês, possui peso maior na cesta do INPC, enquanto Passagem aérea, com variação de -7,69%, tem peso menor. Ainda assim, o INPC de Brasília se manteve abaixo do registrado na média nacional (0,19%), apresentando o quarto menor valor entre as regiões pesquisadas.

Gráfico 4 – Variação (%) mensal do INPC – Brasil e Regiões Pesquisadas – Janeiro de 2020

Fonte: IBGE/ Elaboração: Codeplan/Gecon-Nupre.

Dentre os subitens com maior contribuição para o resultado de janeiro, destacam-se novamente os componentes do grupo Transportes: o Ônibus urbano, com contribuição positiva de 0,20 p.p., e a Passagem aérea e Gasolina, com contribuições negativas de -0,07 p.p. e -0,13 p.p., respectivamente.

Tabela 2 – INPC – 10 maiores e menores contribuições (p.p.) e respectivas variações mensais (%) por subitens – Brasília – Janeiro de 2020

Fonte: IBGE/ Elaboração: Codeplan/Gecon-Nupre.

Gráfico 5 – INPC – Variação mensal (%) por grupo – Brasília – Janeiro de 2019

Fonte: IBGE/ Elaboração: Codeplan/Gecon-Nupre.

CONSIDERAÇÕES GERAIS

Diante dos resultados apurados pelo IBGE para a inflação em Brasília, relativa ao mês de janeiro de 2020, alguns pontos merecem destaque:

  • As estruturas dos índices de preços foram atualizadas conforme a nova Pesquisa de Orçamento Familiar, trazendo mudanças nos itens monitorados, nos seus pesos e nas séries históricas dos indicadores.
  • IPCA registra deflação de -0,12% em janeiro, enquanto o INPC também apresenta queda, porém menor, de -0,04%.
  • Em doze meses, o IPCA do Brasil índice registra inflação de 4,19%, próximo ao centro da meta, de 4,00%. A mediana das previsões coletadas pelo Boletim FOCUS é que a inflação para o ano se mantenha bem controlada em 3,40%.
  • As quedas da Passagem aérea (-7,69%) e da Gasolina (-1,87%) foram os principais contribuintes para o resultado do mês, enquanto o reajuste das tarifas do Ônibus urbano (variação de 5,00%) segurou uma deflação maior.

[1] Um estudo mais aprofundado acerca da nova estrutura dos índices de preço será divulgado em breve.

[2] Relatório de Mercado do Boletim FOCUS, do Banco Central, do dia 31 de janeiro de 2020. Disponível em: https://www.bcb.gov.br/content/focus/focus/R20200131.pdf