Economia Brasileira

A leitura dos dados do Produto Interno Bruto (PIB) mostra uma expansão de 1,7% da atividade no quarto trimestre do ano em relação ao mesmo período do ano anterior. No acumulado do ano, o crescimento foi de 1,1%.

Gráfico 1 – Crescimento do Produto Interno Bruto – Variação no trimestre contra mesmo trimestre do ano anterior (%) – 4T2019 – Brasil

Pelo lado da oferta, esse resultado trimestral se manifestou em todos os grandes setores, apontando avanço de 1,6% nos Serviços, 1,5% na Indústria e 0,4% na Agropecuária.

Pelo lado da demanda, destaque para os aumentos do Consumo das famílias (2,1%), que superaram a queda das Exportações (-5,1%).

O resultado anual está em linha com as expectativas do mercado, cuja mediana na última semana do ano apontava para um crescimento do PIB de 1,17%, após atingir 0,80% na metade do ano.

Gráfico 2 – Crescimento do Produto Interno Bruto – Variação acumulada em quatro trimestres (%) – 4T2019 – Brasil

O mercado de trabalho reflete a tênue recuperação da economia, com uma taxa de desocupação de 11,0% no quarto trimestre de 2019, abaixo do mesmo período do ano anterior, quando era de 11,6%. Esse valor é o menor registrado no último quadrimestre do ano desde 2015, porém ainda representa um contingente de 11,6 milhões de desempregados.

No que diz respeito aos preços, o IPCA encerrou o ano em 4,31% no acumulado em 12 meses, bastante próximo do centro da meta perseguida pelo Banco Central, de 4,25%. Esse resultado refletiu o choque em novembro e dezembro nos preços das carnes, em função do aumento da demanda externa por proteína animal. Cabe notar que as medidas de núcleo também seguem comportadas, com evolução, em geral, modesta.

Economia do Distrito Federal

A leitura do Idecon/DF apresenta quadro de aceleração da recuperação econômica no quarto trimestre de 2019. Na comparação com o mesmo trimestre de 2018, houve avanço de 2,4% do indicador. 

Gráfico 3 – PIB-Brasil e Idecon-DF – 1T2015 a 4T2019 – Taxa Trimestral – Variação (%) 

No que diz respeito aos grandes setores da atividade, a Agropecuária variou 0,4%, os Serviços 2,4% e a Indústria mostrou importante variação positiva de 1,7%. O destaque vai para o desempenho da Indústria de Transformação, com alta de 2,5% no trimestre.

Com esse resultado, a economia do Distrito Federal fechou o ano com alta de 1,8%, maior variação desde antes da crise. A recuperação da Indústria e números bons de alguns segmentos do setor privado de serviços foram fatores essenciais para o alcance desse resultado.

Gráfico 4 PIB-Brasil e Idecon-DF – 1T2015 a 4T2019 Taxa acumulada em quatro trimestres – Variação (%)

As pesquisas setoriais, divulgadas pelo IBGE, corroboram em parte esse comportamento. De um lado, a Pesquisa Mensal do Comércio Ampliado (PMC) aponta variação positiva de 3,5% no volume de transações do ano. De outro, a Pesquisa Mensal dos Serviços (PMS), registrou retração de -1,9% no mesmo período, sendo o segmento de Transportes o que mais sofreu redução.

Entre os indicadores auxiliares, novamente se destaca a expansão do saldo de crédito a pessoas físicas, que continuou no segundo semestre e que influencia o consumo das famílias no Distrito Federal, e a reversão da trajetória de queda do saldo de crédito a pessoas jurídicas. Já um ponto negativo é o registro de retração pronunciada das exportações do DF.

Gráfico 5 – Saldo das operações de crédito (R$ valores a preços de dezembro de 2019) – Pessoas físicas e pessoas jurídicas – Jan/16 a dez/19 – Distrito Federal

Análise de Preços

No quarto trimestre de 2019, a inflação em Brasília medida pelo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – IPCA avançou bastante em relação ao observado no terceiro trimestre do ano – 1,92% ante 0,26%.

Gráfico 6 – Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) – Variação acumulada no trimestre (%) – Brasil e regiões pesquisadas

A maior pressão do trimestre adveio de Passagem Aérea, com 30,57% de variação devido à época do ano, e das Carnes, com elevação de 30,70%, devido ao choque de oferta para atender o mercado chinês ocorrido em novembro e dezembro. Os outros destaques do trimestre são a Gasolina (6,08%) em alta e a Energia Elétrica Residencial, que registrou queda de 9,79% no trimestre em função do período de chuvas e de reajuste médio negativo na tarifa local.

No acumulado em 12 meses, a inflação de Brasília mostrou aceleração e fechou o ano em 3,76%, abaixo do centro da meta perseguida pelo Banco Central e da inflação nacional, de 4,31%. 

Gráfico 7 – Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) – Variação acumulada em doze meses (%) – Brasília (DF) e Brasil – Dezembro de 2019

A expectativa do mercado é que a inflação no Brasil encerre 2020 por volta de 3,20%, valor também abaixo do centro da meta definida em 4,00%. Como os núcleos seguem comportados e existe capacidade ociosa na economia, a inflação não deve ser um vetor de preocupação este ano.

Mercado de Trabalho

A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua de Divulgação Trimestral (PNADCT), referente ao quarto trimestre de 2019, apresentou menor taxa de desemprego, advinda de uma redução da taxa de participação e do aumento dos ocupados no setor privado com carteira assinada. Com isso, houve uma redução da taxa de desemprego de 13,2% para 12,5%, com queda registrada mesmo quando descontados fatores sazonais.

Gráfico 8 – PNADCT – Taxa de desocupação (%) – Distrito Federal – 1o trimestre de 2016 a 4o trimestre de 2019 – Distrito Federal

Na comparação interanual, a taxa de desemprego subiu concomitante ao aumento do número de ocupados, indicando que a recuperação do mercado não tem sido suficiente para englobar o crescimento demográfico e ao mesmo tempo reduzir o contingente de desempregados.

A massa salarial aumentou no último trimestre de 2019, porém registrou redução na comparação com o mesmo período do ano anterior, o que impacta o potencial de consumo dos residentes do Distrito Federal.

Os registros do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED/ME) mostram um quadro sazonal típico do trimestre, com fechamento de mais de três mil postos de trabalho, movimento que ocorre sempre no final do ano. Já no acumulado do ano, houve criação de 16.241 vagas, lideradas pelas atividades de Saúde humana e serviços sociais, Comércio e Construção. Ademais, um terço dos vínculos criados possuem contrato de trabalho intermitente, indicando o crescimento dessa modalidade no Distrito Federal.

Gráfico 9 – CAGED – Saldo entre admitidos (+1) e desligados (-1) por grandes setores e média móvel de quatro trimestres do saldo total (linha sólida) – Distrito Federal – 1T2017 a 4T2019

Projeções 2020

A Codeplan, no intuito de aprofundar a análise da economia do Distrito Federal, dá continuidade à divulgação de suas projeções para variáveis econômicas de interesse.

Cabe ressaltar que os valores projetados são obtidos por meio de ferramentas estatísticas e de construção de cenários, ambos sujeitos a incertezas inerentes aos métodos empregados e aos desenvolvimentos ao longo do tempo. Além disso, os números estimados se baseiam em dados disponíveis até 13 de março de 2020. Portanto, os valores apresentados devem ser considerados com cautela e serão revisados a cada nova edição do boletim, de acordo com o conjunto de informações disponível.

O Idecon-DF apresentou alta de 1,8% no acumulado em quatro trimestres em dezembro de 2019. Esse comportamento é reflexo da gradual retomada da atividade econômica local, após apresentar variações negativas em 2015 e 2016. A projeção do Idecon-DF para 2020 é de manutenção dessa trajetória, com crescimento de 2,3% no ano.

Gráfico 10 – Projeção para o Idecon-DF – Variação acumulada em quatro trimestres em dezembro (%) – Distrito Federal


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