1 – ÍNDICE DE PREÇOS AO CONSUMIDOR AMPLO – IPCA

Em março de 2020, o IPCA de Brasília variou -0,22% em relação a fevereiro, quando havia registrado 0,35%. Foi a terceira menor variação entre as 16 regiões pesquisadas pelo IBGE. Já o Brasil apresentou variação de 0,07%.

Gráfico 1 – IPCA – Variação mensal e acumulada no ano (%) – Brasil e Regiões Pesquisadas – Março 2020

Fonte: IBGE/ Elaboração: Codeplan/Gecon-Nupre

O índice é resultado predominantemente da contribuição negativa do grupo Transportes, que variou -1,60% em março (contribuição de -0,36 p.p.). Esse resultado se deveu às quedas de -2,77% no preço da Gasolina, após tensões entre Rússia e Arábia Saudita levarem a um aumento na produção internacional de petróleo, e de -13,62% no preço da Passagem aérea, devido ao combustível mais barato e à queda na demanda ao longo do mês, consequência dos casos de COVID-19 que começaram a se alastrar pelo país no período.

A deflação não foi maior devido ao grupo Alimentação e bebidas, com variação de 0,97% (contribuição de 0,15 p.p.), que teve altas generalizadas em seus itens. Tubérculos, raízes e legumes, Alimentação fora do domicílio e Carnes contribuíram com 0,04 p.p. cada, enquanto Frutas tiveram um resultado de 0,03 p.p., em decorrência de uma maior demanda por produtos alimentícios no varejo.

Tabela 1 – IPCA – 10 maiores e menores contribuições (p.p.) e suas respectivas variações mensais (%), por subitem – Brasília – Março 2020

Fonte: IBGE/ Elaboração: Codeplan/Gecon-Nupre

O IPCA do Brasil acumula, em doze meses, 2,93%. Com isso, o indicador se encontra abaixo da meta de inflação perseguida pelo Banco Central em 2020, de 4,00% (ante 4,25% para o ano de 2019). As faixas superior e inferior apresentam um intervalo de 1,50 p.p., resultando em um limite superior da meta de 5,50% e inferior de 2,50% para o ano. O valor para inflação nacional projetado no Boletim FOCUS para 2020 é de 2,72%[1], sinalizando uma expectativa de inflação próxima ao limite inferior da meta. Destaca-se que a incerteza acerca dos impactos econômicos locais da crise do COVID-19 é alta e tende a provocar quedas na demanda por bens e serviços nos próximos meses.

Gráfico 2 – IPCA – Variação percentual acumulada em 12 meses – Brasil e Brasília* – Março 2020

Fonte: IBGE/ Elaboração: Codeplan/Gecon-Nupre.
* Os valores em 2020 para o IPCA de Brasília desprezam a mudança na estrutura da série, servindo como balizadores preliminares.

2 – ÍNDICE NACIONAL DE PREÇOS AO CONSUMIDOR – INPC/BRASÍLIA

O INPC – índice que mede a inflação das famílias com rendimentos entre um e cinco salários mínimos – registrou queda de -0,18 em março. O valor acima do registrado no IPCA (-0,22%) deve-se ao fato do peso da Passagem aérea, forte pressão deflacionário no mês, ser inferior na cesta do INPC em relação à do IPCA (contribuição de -0,11 p.p., contra -0,17 p.p. no indicador amplo). Por outro lado, o grupo de Alimentação e bebidas, com altas generalizadas, tem maior peso nesse indicador.

Gráfico 3 – INPC – Variação mensal e acumulada no ano (%) – Brasil e Regiões Pesquisadas – Março 2020

Fonte: IBGE/ Elaboração: Codeplan/Gecon-Nupre

3 – ÍNDICE CEASA DO DISTRITO FEDERAL

O ICDF de março de 2020 registrou variação positiva, 3,27%, em relação ao mês anterior. O Setor de Legumes registrou a maior variação, 7,01%, seguido do Setor de Verduras, 5,80% do Setor de Ovos e Grãos, 5,53%, e do Setor de Frutas, 1,40%. Tradicionalmente a influência das chuvas e a força da demanda são os fatores mais influentes neste período do ano. Entretanto, o isolamento social e o fechamento obrigatório de feiras populares, restaurantes e escolas tendem a reprimir a demanda, de forma generalizada, no mês de abril.



CONSIDERAÇÕES GERAIS

Diante dos resultados apurados pelo IBGE para a inflação em Brasília, relativa ao mês de março de 2020, alguns pontos merecem destaque:

  • IPCA registra deflação de -0,22% em março, enquanto o INPC apresenta valor maior, porém ainda negativo, de -0,18%.
  • A queda nos preços da Gasolina (-2,77%) e da Passagem aérea (-13,62%) foram os principais contribuintes para o resultado do mês, enquanto altas generalizadas no grupo de Alimentação e bebidas (0,97% no agregado) seguraram uma deflação maior.
  • No acumulado do ano, Brasília apresenta o segundo menor IPCA, com variação nula (0,00%), e também segundo menor INPC, de 0,03%, entre as regiões pesquisadas.
  • Em doze meses, O IPCA de Brasília estimado está em 2,93%, de acordo com o IBGE. O IPCA do Brasil registra inflação de 3,30%, abaixo do centro da meta, de 4,00%. A mediana das previsões coletadas pelo Boletim FOCUS do dia 3 de abril é que a inflação para o ano atinja 2,72%, próxima do limite inferior da meta, de 2,50%.




[1] Relatório de Mercado do Boletim FOCUS, do Banco Central, do dia 03 de abril de 2020. Disponível em: https://www.bcb.gov.br/content/focus/focus/R20200403.pdf