Em abril de 2020, o IPCA de Brasília variou -0,58% em relação a março, quando havia registrado -0,22%. Foi a segunda menor variação entre as 16 regiões pesquisadas pelo IBGE. Já o Brasil apresentou variação de -0,31%, menor variação mensal desde agosto de 1988.

Gráfico 1 – IPCA – Variação mensal e acumulada no ano (%) – Brasil e Regiões Pesquisadas – Abril 2020

 Fonte: IBGE/ Elaboração: Codeplan/Gecon-Nupre

A deflação expressiva no mês ilustra a situação atípica vivida atualmente no Brasil e no mundo em função do COVID-19. No Distrito Federal, shoppings, restaurantes e o comércio em geral se encontram paralisados desde o dia 19 de março, e escolas desde o dia 11 do mesmo mês, com orientações ao público para permanecer em casa o máximo possível, inclusive em regimes de home office quando viável. Assim, o perfil de consumo da população se encontra significativamente alterado, com fortes quedas na demanda por bens como combustíveis e artigos de residência e altas em produtos alimentícios, bem como impactos na renda local, em especial de trabalhadores informais.

O índice de abril é resultado predominantemente da contribuição negativa do grupo Transportes, que variou -3,39% no mês (contribuição de -0,74 p.p.). Esse resultado se deveu à queda de -12,72% nos preços da Gasolina, em função da saturação do mercado após um aumento na produção internacional de petróleo (consequência de tensões entre a Rússia e a Arábia Saudita, que entraram em acordo no início de abril) aliada à queda no consumo interno após paralisação de comércios e escolas. Por outro lado, a Passagem aérea apresentou variação de 12,53% no mês, segurando uma pressão deflacionário maior do grupo. Esse comportamento pode refletir a redução da oferta de voos conforme empresas do setor se adequam à nova realidade do mercado, assim como o impacto da taxa de câmbio, com a desvalorização do Real frente ao Dólar.

O índice de abril não apresentou variação mais negativa devido ao grupo Alimentação e bebidas, com alta de 1,46% (contribuição de 0,23 p.p.), que teve pelo segundo mês consecutivo altas em vários de seus itens. Alimentação fora do domicílio, Tubérculos, raízes e legumes e Frutas contribuíram com 0,10 p.p., 0,06 p.p. e 0,05 p.p., respectivamente, enquanto as Carnes apresentaram leve queda em seus preços, com contribuição de -0,03 p.p. O resultado da Alimentação fora do domicílio é consequência do comportamento do grupo como um todo, que encarece os insumos utilizados em sua produção.

Tabela 1 – IPCA – 10 maiores e menores contribuições (p.p.) e suas respectivas variações mensais (%), por subitem – Brasília – Abril 2020

Fonte: IBGE/ Elaboração: Codeplan/Gecon-Nupre

O IPCA do Brasil acumula, em doze meses, 2,40%. Com isso, o indicador se encontra abaixo do limite inferior da meta de inflação perseguida pelo Banco Central em 2020, de 2,50%. O valor para a inflação nacional projetado no Boletim FOCUS para 2020 é de 1,97%[1], sinalizando uma expectativa de encerrar o ano ainda abaixo do limite inferior da meta. O COPOM tem agido para amenizar os efeitos do COVID-19 na economia, reduzindo a taxa SELIC para o patamar historicamente baixo de 3,00%[2] a fim de estimular o consumo da população e a realização de novos investimentos ao reduzir o custo do capital. Contudo, a expectativa do mercado é que ainda haja espaço para cortes futuros.

Gráfico 2 – IPCA – Variação percentual acumulada em 12 meses – Brasil e Brasília* – Abril 2020

Fonte: IBGE/ Elaboração: Codeplan/Gecon-Nupre.
* Os valores em 2020 para o IPCA de Brasília desprezam a mudança na estrutura da série, servindo como balizadores preliminares.

2 – ÍNDICE NACIONAL DE PREÇOS AO CONSUMIDOR – INPC/BRASÍLIA

O INPC – índice que mede a inflação das famílias com rendimentos entre um e cinco salários mínimos – registrou queda de -0,68% em abril. O valor abaixo do registrado no IPCA (-0,58%) deve-se principalmente ao fato do peso da Passagem aérea, maior pressão inflacionária no mês, ser inferior na cesta do INPC em relação à do IPCA (contribuição de 0,08 p.p. no INPC, abaixo dos 0,14 p.p. no IPCA).

Gráfico 3 – INPC – Variação mensal e acumulada no ano (%) – Brasil e Regiões Pesquisadas – Abril 2020

Fonte: IBGE/ Elaboração: Codeplan/Gecon-Nupre

3 – ÍNDICE CEASA DO DISTRITO FEDERAL

O ICDF de abril de 2020 registrou variação positiva, 1,12%, em relação ao mês anterior. O Setor de Ovos e Grãos registrou a maior variação positiva, 5,53%, seguido do Setor de Frutas, 1,41%, e do Setor de Legumes, 1,40%. Porém, o Setor de Verduras variou negativamente, (-11,13%). A previsão de queda da temperatura e redução da incidência de chuvas devem alterar os preços de diversos produtos. A demanda tende a continuar reprimida devido ao isolamento social e o fechamento obrigatório de feiras populares.

4 – CONSIDERAÇÕES GERAIS

Diante dos resultados apurados pelo IBGE para a inflação em Brasília, relativa ao mês de abril de 2020, alguns pontos merecem destaque:

  • IPCA registra deflação de -0,58% em abril, enquanto o INPC apresenta valor menor, de
    -0,68%.
  • A queda nos preços da Gasolina (-12,72%) foi o principal contribuinte para o resultado do mês, enquanto altas generalizadas no grupo de Alimentação e bebidas (1,46% no agregado) e nos preços da Passagem aérea (12,53%) seguraram uma deflação maior.
  • No acumulado do ano, Brasília apresenta o terceiro menor IPCA, com variação também de
    -0,58%, assim como o terceiro menor INPC, de -0,65%, entre as regiões pesquisadas.
  • Em doze meses, o IPCA de Brasília estimado está em 1,55%, de acordo com o IBGE.
  • O IPCA do Brasil registra inflação de 2,40%, abaixo do limite inferior da meta, de 2,50%. A mediana das previsões coletadas pelo Boletim FOCUS, do dia 30 de abril, é que a inflação nacional para o ano atinja 1,97%, abaixo do limite inferior da meta. No dia 6 de maio, o COPOM decidiu reduzir a taxa SELIC para o patamar historicamente baixo de 3,00%, mas ainda não descarta a hipótese de redução futura.

[1] Relatório de Mercado do Boletim FOCUS, do Banco Central, do dia 30 de abril de 2020. Disponível em: https://www.bcb.gov.br/content/focus/focus/R20200430.pdf

[2] Valor determinado para a Selic na reunião do COPOM realizada no dia 06 de maio de 2020.