1 – ÍNDICE DE PREÇOS AO CONSUMIDOR AMPLO – IPCA

Em maio de 2020, o IPCA de Brasília variou -0,28% em relação a abril, quando havia registrado -0,58%. Foi a quarta menor variação entre as 16 regiões pesquisadas pelo IBGE, empatado com São Paulo e Rio de Janeiro, e a terceira deflação consecutiva nos preços praticados na região. Já o Brasil apresentou variação de -0,38%, menor resultado em 22 anos.

Gráfico 1 – IPCA – Variação mensal e acumulada no ano (%) – Brasil e Regiões Pesquisadas – Maio 2020

Fonte: IBGE. Elaboração: Codeplan/Gecon-Nupre

A deflação expressiva no mês ilustra a situação atípica vivida atualmente no Brasil e no mundo em função do COVID-19. No Distrito Federal, shoppings, restaurantes e o comércio em geral se encontram paralisados desde o dia 19 de março, e escolas desde o dia 11 do mesmo mês, com orientações ao público para permanecer em casa o máximo possível, inclusive em regimes de home office quando viável. Assim, o perfil de consumo da população se encontra significativamente alterado, com fortes quedas na demanda por bens como combustíveis e artigos de residência e altas em produtos alimentícios, bem como impactos na renda local, em especial de trabalhadores informais.

Gráfico 2 – IPCA – Variação mensal (%) e contribuição (p.p.), por grupo – Brasília – Maio 2020

Fonte: IBGE. Elaboração: Codeplan/Gecon-Nupre

O índice de maio é resultado predominantemente da contribuição negativa do grupo Transportes, que variou -1,94% no mês (contribuição de -0,41 p.p.). Essa contribuição se deveu a dois fatores. Um deles é a queda de 1,84% (-0,11 p.p.) nos preços da gasolina, que ainda sente os efeitos dos preços internacionais baixos do petróleo e da brusca queda na demanda interna após paralisação de comércios e escolas. O segundo é a deflação de 24,58% (-0,31 p.p.) nos preços da passagem aérea, ilustrando novamente as dificuldades vivenciadas pelas companhias aéreas com as medidas de distanciamento social em vigor. A grande deflação é observada apesar da elevada taxa de câmbio, que encarece o leasing das aeronaves. Nos primeiros cinco meses do ano, as passagens aéreas acumulam queda de -37,27% nos seus preços. 

Essa elevada taxa de câmbio merece algumas considerações adicionais. A cotação do dólar atingiu 5,94 reais por dólar em 14 de maio antes de recuar e encerrar o mês em 5,43 R$/US$. A média no período foi de 5,64 RS/US$, o patamar mais alto no ano até agora. A cotação do dólar se traduz em preços mais elevados para a importação de commodities internacionais, como o petróleo, e fato o de ser observada uma retração no preço da Gasolina mesmo com uma taxa de câmbio mais alta ilustra a queda da demanda pelo bem.

Gráfico 3 – Taxa de câmbio – Valor diário e média mensal (R$/US$) – Janeiro de 2020 a junho de 2020

Fonte: SGS/BCB. Elaboração: Codeplan/Gecon-Nupre

Já o grupo Alimentação e bebidas, que vinha de dois meses consecutivos de alta, apresentou variação de -0,14% em maio (contribuição de -0,02 p.p.). Apesar do item Tubérculos, raízes e legumes apresentar inflação em seus preços (+9,58%), o agregado do grupo ainda foi de queda no mês, reduzindo a pressão sobre o orçamento das famílias.

O mês de maio não apresentou variação mais negativa devido ao grupo Saúde e cuidados pessoais, que apresentou alta de +0,66% em seus preços (contribuição de +0,10 p.p.). O item de destaque aqui foi os Produtos farmacêuticos, que contribuíram com +0,07 p.p., em especial o Hipotensor e hipocolesterolêmico (+0,03 p.p.).

Tabela 1 – IPCA – 10 maiores e menores contribuições (p.p.) e suas respectivas variações mensais (%), por subitem – Brasília – Maio 2020

Fonte: IBGE. Elaboração: Codeplan/Gecon-Nupre

Tabela 2 – IPCA – 10 maiores e menores contribuições (p.p.) e suas respectivas variações mensais (%), por item – Brasília – Maio 2020

Fonte: IBGE. Elaboração: Codeplan/Gecon-Nupre

Apesar dos resultados fortes da Passagem aérea e da Gasolina na deflação de maio do Distrito Federal, a queda na demanda e renda em função da paralisação de diversos setores econômicos leva também a uma retração mais generalizada nos preços locais. O índice de difusão do IPCA distrital foi de 46,2% no mês, ou seja, 46,2% dos subitens da cesta apresentaram inflação no período, enquanto 53,8% tiveram variações nulas ou negativas. Apesar de superior ao valor em abril, quando foi de 43,1%, o índice ainda se encontra bastante abaixo dos 50,0%, ilustrando a fraca margem do mercado para reajustar preços.

Gráfico 4 – IPCA – Índice de difusão – Brasília – Maio de 2018 a maio de 2020

Fonte: IBGE. Elaboração: Codeplan/Gecon-Nupre

O IPCA do Brasil acumula, em doze meses, 1,88%. Com isso, o indicador se encontra abaixo do limite inferior da meta de inflação perseguida pelo Banco Central em 2020, de 2,50%. O valor para a inflação nacional projetado no Boletim FOCUS para 2020 é de 1,53%[1], sinalizando uma expectativa de encerrar o ano ainda em um patamar ainda inferior ao atual. O COPOM tem agido para amenizar os efeitos do COVID-19 na economia, reduzindo a taxa SELIC para o patamar historicamente baixo de 3,00%[2] a fim de estimular o consumo da população e a realização de novos investimentos ao reduzir o custo do capital. Contudo, a expectativa é que ainda haja espaço para um corte de até 0,75 p.p. nessa taxa[3].

Gráfico 5 – IPCA – Variação acumulada em 12 meses – Brasil e Brasília* – Maio 2020

Fonte: IBGE. Elaboração: Codeplan/Gecon-Nupre
*Os valores em 2020 para o IPCA de Brasília desprezam a mudança na estrutura da série, servindo como balizadores preliminares.

2 – ÍNDICE NACIONAL DE PREÇOS AO CONSUMIDOR – INPC/BRASÍLIA

O INPC – índice que mede a inflação das famílias com rendimentos entre um e cinco salários mínimos – registrou queda de -0,28% em maio. O valor foi simétrico ao do IPCA, de forma que as diferenças de pesos entre as duas cestas se compensaram no mês.

Gráfico 6 – INPC – Variação mensal e acumulada no ano (%) – Brasil e Regiões Pesquisadas – Abril 2020

Fonte: IBGE. Elaboração: Codeplan/Gecon-Nupre

A análise dos grupos do INPC revela novamente fortes pressões negativas do grupo de Transportes (-1,55%). Do outro lado, os Artigos de residência (+1,50%) tiveram a maior variação positiva no mês, porém possuem menos peso dentro da cesta de consumo das famílias.

Um ponto de destaque é a presença do subitem Automóvel novo como a maior contribuição positiva no IPCA (+0,04 p.p.), enquanto no INPC, é o Automóvel usado que aparece entre as maiores contribuições, porém negativo (-0,04 p.p.). Esse contraste ilustra um pouco as diferenças de consumo capturadas por cada cesta.

Gráfico 7 – INPC – Variação mensal por grupo (%) – Brasília – Maio 2020

Fonte: IBGE. Elaboração: Codeplan/Gecon-Nupre

Tabela 3 – INPC – 10 maiores e menores contribuições (p.p.) e respectivas variações mensais (%), por subitem – Brasília – Maio 2020

Fonte: IBGE. Elaboração: Codeplan/Gecon-Nupre

Tabela 4 – INPC – 10 maiores e menores contribuições (p.p.) e respectivas variações mensais (%), por item – Brasília – Maio 2020

Fonte: IBGE. Elaboração: Codeplan/Gecon-Nupre

3 – ÍNDICE CEASA DO DISTRITO FEDERAL

O ICDF de maio de 2020 registrou variação positiva, 3,25%, em relação ao mês anterior. O Setor de Legumes registrou a maior variação, 8,08%, seguido do Setor de Frutas, 1,85%, e do Setor Verduras, 0,25%. Porém, o Setor de Ovos e Grãos, (-6,12%), variou negativamente. Temperaturas mais baixas reduziram a oferta de diversos produtos e o setor exportador, impulsionado pelo câmbio, apresentou concorrência com a demanda interna, pressionando preços. O frio mais intenso nas regiões produtoras de outros estados tende a exercer pressão de alta nos preços do tomate, por outro, lado afeta a demanda por folhagens, de produção local, que tendem a ficarem mais baratas.

4 – CONSIDERAÇÕES GERAIS

Diante dos resultados apurados pelo IBGE para a inflação em Brasília, relativa ao mês de maio de 2020, alguns pontos merecem destaque:

  • IPCA registra deflação de 0,28% em maio, a terceira deflação consecutiva no ano. O valor é simétrico ao resultado do INPC.
  • A queda nos preços da Passagem aérea (-24,58%) e da Gasolina (-1,84%) foram os principais contribuintes para o resultado do mês.
  • No acumulado do ano, Brasília apresenta o terceiro menor IPCA, com variação de -0,86%, assim como o terceiro menor INPC, de -0,93%, entre as regiões pesquisadas.
  • Em doze meses, o IPCA de Brasília estimado está em 1,32%, de acordo com o IBGE.
  • O IPCA do Brasil registra inflação de 1,88%, abaixo do limite inferior da meta, de 2,50%. A mediana das previsões coletadas pelo Boletim FOCUS, do dia 5 de junho, é que a inflação nacional para o ano atinja 1,53%, abaixo do limite inferior da meta. No dia 6 de maio, o COPOM decidiu reduzir a taxa SELIC para o patamar historicamente baixo de 3,00%, mas ainda não descarta a hipótese de redução futura.

[1] Relatório de Mercado do Boletim FOCUS, do Banco Central, do dia 5 de junho de 2020. Disponível em: https://www.bcb.gov.br/content/focus/focus/R20200605.pdf

[2] Valor determinado para a Selic na reunião do COPOM realizada no dia 06 de maio de 2020.

[3] Segundo ata da reunião do COPOM de maio de 2020. Disponível em: https://www.bcb.gov.br/publicacoes/atascopom/06052020