Resumo

  • Em maio de 2020, a taxa de desocupação do Distrito Federal ficou em 21,3%, acima do observado em maio de 2019, de 19,4%.
  • Houve uma redução de 78 mil no número de ocupados entre maio de 2019 e maio de 2020.
  • A atividade de Construção apresentou a maior variação negativa relativa, contração de -19,6% (-10 mil pessoas), e a de Serviços, a maior contração absoluta (-61 mil pessoas).
  • O impacto foi mais significativo no setor privado, especialmente entre os trabalhadores sem carteira assinada, que dispensou cerca de 89 mil pessoas entre maio de 2019 e maio de 2020.
  • Os rendimentos médios reais de todas as categorias apresentaram aumento  no período, exceto os Autônomos, que tiveram um decréscimo de -10,6%.

Gráfico 1 – Evolução da taxa de desemprego e da taxa de participação – Percentual (%) – Distrito Federal – Maio de 2015 a maio de 2020

Fonte: PED-DF / Convênio: CODEPLAN e DIEESE. Elaboração: GECON/DIEPS/CODEPLAN.

A taxa de desemprego do Distrito Federal atingiu 21,3% em maio de 2020, superior ao valor obtido no mês de abril, quando foi de 20,7%. O valor é o maior registrado na região para o mês de maio desde 2015 e representa um aumento de 1,9 ponto percentual (p.p.) em relação a maio de 2019.

O resultado interanual se deve principalmente à redução do nível de ocupação (menos 78 mil ocupados). Por outro lado, a taxa de desemprego não foi maior por conta da redução da taxa de participação no período (de 66,5% para 62,9%), que levou a uma leve contração do número de pessoas procurando emprego (60 mil pessoas a menos na PEA) apesar do crescimento da quantidade de pessoas em idade apropriada para trabalhar no período (44 mil pessoas a mais na PIA).

Uma taxa de participação menor indica que mais pessoas em idade ativa não estão procurando emprego (e, logo, não são consideradas desempregadas), possivelmente em função de desalento face a pouca perspectiva de conseguir adentrar no mercado de trabalho.

Gráfico 2 – Decomposição da variação da taxa de desemprego – Pontos percentuais (p.p.) – Distrito Federal – Maio de 2020

Fonte: PED-DF / Convênio: CODEPLAN e DIEESE. Elaboração: GECON/DIEPS/CODEPLAN.

Esse comportamento era esperado devido ao efeito negativo decorrente das medidas de combate à disseminação do novo coronavírus mediante a suspensão de atividades comerciais e de serviços no Distrito Federal. Apesar dos efeitos evidentes nesses setores, o destaque negativo do mês foi a Construção, que apresentou a maior variação negativa relativa no período, com contração de -19,6% (-10 mil pessoas). Já a maior variação absoluta se configurou nos Serviços, com diminuição de 61 mil empregados no setor (-6,7%). A Administração Pública repetiu o resultado de abril ao ser a única categoria a apresentar crescimento no número de pessoas ocupadas na atividade entre maio de 2019 e maio de 2020, com acréscimo de 17 mil pessoas (+9,6%).

Tabela 1 – Estimativa do número de ocupados, segundo setores de atividade – Distrito Federal – Maio de 2019 e Maio de 2020

Fonte: PED-DF / Convênio: CODEPLAN e DIEESE. Elaboração: GECON/DIEPS/CODEPLAN.

Os efeitos da paralisação econômica seguem intensos no setor privado, em particular entre os trabalhadores sem carteira assinada, cujo número diminuiu em 30 mil pessoas (-28,6%). Entre os empregados com carteira assinada, o valor relativo foi menor, porém ainda significante, com 59 mil empregados a menos na categoria (-11,1%).

No que se refere ao rendimento médio real, verificou-se um aumento generalizado nas categorias Ocupados (+4,9%) e Assalariados (+8,1%) entre maio de 2019 e maio de 2020. Já os Autônomos experimentaram um importante decréscimo de -10,6% no mesmo período de comparação, ilustrando as dificuldades recentes enfrentadas pela categoria.

Tabela 2 – Estimativas consolidadas da Pesquisa de Emprego e Desemprego do Distrito Federal – Maio de 2019 e Maio de 2020

Fonte: PED-DF / Convênio: CODEPLAN e DIEESE. Elaboração: GECON/DIEPS/CODEPLAN.