1 – ÍNDICE DE PREÇOS AO CONSUMIDOR AMPLO – IPCA

Em junho de 2020, o IPCA de Brasília variou +0,46% em relação a maio, quando havia registrado -0,28%. Foi a quinta menor variação entre as 16 regiões pesquisadas pelo IBGE e a primeira inflação nos preços praticados na região desde fevereiro. Já o Brasil apresentou variação também positiva de 0,26%.

Gráfico 1 – IPCA – Variação mensal e acumulada no ano (%) – Brasil e Regiões Pesquisadas – Junho 2020

Fonte: IBGE. Elaboração: Codeplan/Gecon-Nupre

O resultado do período aponta sinais de recuperação dos preços locais após três meses consecutivos de deflações (-0,22% em março, -0,58% em abril e -0,28% em maio). Essa alta nos índices de preço é influenciada pela reabertura de diversos setores e atividades no Distrito Federal, incluindo shoppings, embora ainda sujeitos a grande número de restrições sanitárias. Ainda assim, os temores com a pandemia e a redução do poder de compra da população em função das medidas de combate ao novo coronavírus ainda geram um ambiente de baixa demanda local.

Gráfico 2 – IPCA – Variação mensal (%) e contribuição (p.p.), por grupo – Brasília – Junho 2020

Fonte: IBGE. Elaboração: Codeplan/Gecon-Nupre

O índice de junho é resultado predominantemente da contribuição positiva do grupo Alimentação e bebidas, que variou +1,03% no mês. Esse aumento foi generalizado dentro do grupo, com a maior contribuição individual vindo do Leite longa vida (0,05 p.p.), que variou +10,20% no período. O grupo Habitação também gerou pressão inflacionária em junho devido ao aumento de 4,86% da Taxa de água e esgoto (contribuição de 0,08 p.p.), influenciado por mudanças metodológicas na cobrança da tarifa.

Finalmente, o grupo Transportes merece destaque por conter os dois subitens de maior contribuição positiva e negativa do mês. De um lado, o preço da Gasolina cresceu 6,81% em junho (contribuição de +0,38 p.p.), fruto de consecutivos reajustes nas refinarias por parte da Petrobras em função da recuperação gradual do preço internacional do petróleo, que começa a ser repassada de forma mais contundente ao consumidor. De outro, a Passagem aérea mantém sua trajetória de deflação no ano, variando -30,24% no mês (contribuição de -0,29 p.p.) e acumulando queda de 56,24% no primeiro semestre de 2020. Esse resultado ilustra o tamanho das dificuldades vivenciadas pelas companhias aéreas com as medidas de distanciamento social em vigor.

Tabela 1 – IPCA – 10 maiores (azul) e menores (laranja) contribuições (p.p.) e suas respectivas variações mensais (%), por subitem – Brasília – Junho 2020

Fonte: IBGE. Elaboração: Codeplan/Gecon-Nupre

Tabela 2 – IPCA – 10 maiores (azul) e menores (laranja) contribuições (p.p.) e suas respectivas variações mensais (%), por item – Brasília – Junho 2020

Fonte: IBGE. Elaboração: Codeplan/Gecon-Nupre

O resultado inflacionário de junho, beneficiado pela presença de apenas um grupo de variação negativa (Gráfico 2), apontam para uma alta generalizada nos preços do Distrito Federal. De fato, o índice de difusão do período, que mede a quantidade de subitens que apresentaram variação positiva em relação ao total da cesta, foi de 52,0% em junho, bastante acima dos 46,2% observados em maio. Esse é o primeiro resultado superior a 50,0% no indicador – ponto no qual mais da metade da cesta apresenta variação positiva – desde fevereiro, antes da adoção das medidas de distanciamento social e paralisação econômica na região.

Gráfico 3 – IPCA – Índice de difusão – Brasília – Junho de 2018 a junho de 2020

Fonte: IBGE. Elaboração: Codeplan/Gecon-Nupre

O IPCA do Brasil acumula, em 12 meses, variação positiva de +2,13%. Com isso, o indicador se encontra abaixo do limite inferior da meta de inflação perseguida pelo Banco Central em 2020, de 2,50%. O valor para a inflação nacional projetado no Boletim FOCUS para 2020 é de 1,63%[1], sinalizando uma expectativa de encerrar o ano ainda em um patamar inferior ao atual. O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central tem agido para amenizar os efeitos do COVID-19 na economia, reduzindo a taxa de juros de referência do mercado brasileiro, a taxa Selic, para o patamar historicamente baixo de 2,25%[2] a fim de estimular o consumo da população e a realização de novos investimentos ao reduzir o custo do capital. Contudo, a expectativa do mercado é que haja espaço para um novo corte de até 0,25 p.p. nessa taxa.

Gráfico 4 – IPCA – Variação acumulada em 12 meses – Brasil e Brasília* – Junho 2020

Fonte: IBGE. Elaboração: Codeplan/Gecon-Nupre
* Os valores em 2020 para o IPCA de Brasília desprezam a mudança na estrutura da série, servindo como balizadores preliminares.

2 – ÍNDICE NACIONAL DE PREÇOS AO CONSUMIDOR – INPC/BRASÍLIA

O INPC – índice que mede a inflação das famílias com rendimentos entre um e cinco salários mínimos – registrou alta de 0,63% em maio. Foi a terceira maior variação mensal observada entre as regiões pesquisadas.

Gráfico 5 – INPC – Variação mensal e acumulada no ano (%) – Brasil e Regiões Pesquisadas – Junho 2020

Fonte: IBGE. Elaboração: Codeplan/Gecon-Nupre

O valor, superior ao do IPCA, se deveu ao maior peso na cesta do INPC da Taxa de água e esgoto e do grupo Alimentação e bebidas, que apresentaram variação positiva no mês, e menor peso da Passagem aérea, que foi o principal vetor deflacionário de junho no mercado local.

A análise dos grupos do INPC revela novamente uma alta abrangente nos preços do Distrito Federal, com seis dos nove grupos apresentando inflação no mês. Mesmo entre os grupos que apontaram quedas em seus preços, a menor variação observada, do grupo Vestuário, foi de apenas -0,26%. Os Artigos de residência tiveram a maior alta no mês, com variação de +1,27% em seus preços.

Gráfico 6 – INPC – Variação mensal por grupo (%) – Brasília – Junho 2020

Fonte: IBGE. Elaboração: Codeplan/Gecon-Nupre

Tabela 3 – INPC – 10 maiores e menores contribuições (p.p.) e respectivas variações mensais (%), por subitem – Brasília – Junho 2020

Fonte: IBGE. Elaboração: Codeplan/Gecon-Nupre

Tabela 4 – INPC – 10 maiores e menores contribuições (p.p.) e respectivas variações mensais (%), por item – Brasília – Junho 2020

Fonte: IBGE. Elaboração: Codeplan/Gecon-Nupre

3 – ÍNDICE CEASA DO DISTRITO FEDERAL

O ICDF de junho de 2020 registrou variação positiva, 1,18%, em relação ao mês anterior. O Setor de Frutas registrou a maior variação, 3,64%. Porém, variaram negativamente o Setor de Legumes, (-3,23%), o Setor de Ovos e Grãos, (-2,97%), e o Setor de Verduras, (-1,92%). O aumento da oferta e redução da demanda por produtos que compõem três dos quatro grupos do índice, características deste período mais frio, acabou por reduzir os preços destes. Já no grupo das frutas, a entressafra de diversos produtos foi o que predominou, pressionando os preços para cima. A continuidade de temperaturas mais baixas nas regiões produtoras do país seguirá influenciando o mercado.

4 – CONSIDERAÇÕES GERAIS

Diante dos resultados apurados pelo IBGE para a inflação em Brasília, relativa ao mês de junho de 2020, alguns pontos merecem destaque:

  • IPCA registra inflação de 0,46% em junho, primeira variação positiva desde fevereiro. Quanto ao INPC, sua variação foi de 0,63%, superior à do IPCA.
  • A queda nos preços da Passagem aérea (-24,58%) e da Gasolina (-1,84%) foram os principais contribuintes para o resultado do mês.
  • As altas nos preços da Gasolina (+6,81%) e da Taxa de água e esgoto (+5,18%) foram os principais contribuintes para o resultado do mês. Já a queda nos preços da Passagem aérea (-30,24%), que acumula variação de -56,24% no primeiro semestre de 2020, segurou uma inflação maior.
  • No acumulado do ano, Brasília apresenta o quinto menor IPCA, com variação de -0,41%, e o quarto menor INPC, de -0,31%, entre as regiões pesquisadas.
  • Em doze meses, o IPCA de Brasília estimado está em +1,64%, de acordo com o IBGE.
  • O IPCA do Brasil registra inflação de +2,13%, ainda abaixo do limite inferior da meta, de +2,50%. A mediana das previsões coletadas pelo Boletim FOCUS, do dia 3 de julho, é que a inflação nacional para o ano atinja +1,63%, abaixo do limite inferior da meta. No dia 17 de junho, o Copom decidiu reduzir a taxa Selic para o patamar historicamente baixo de 2,25%, mas o mercado ainda não descarta a hipótese de redução futura.

[1] Relatório de Mercado do Boletim FOCUS, do Banco Central, do dia 3 de julho de 2020. Disponível em: https://www.bcb.gov.br/content/focus/focus/R20200605.pdf

[2] Valor determinado para a Selic na reunião do COPOM realizada no dia 17 de junho de 2020.