Resumo

  • Em novembro de 2020, 76 mil pessoas ocupadas se encontraram afastadas de seus trabalhos no Distrito Federal. Em outubro, eram 88 mil.
  • Dessas, 13,2% deixaram de ser remuneradas em função de seu afastamento.
  • A massa de rendimento real efetivamente recebido ficou 2,8% abaixo da massa de rendimento real habitualmente recebido em novembro de 2020. No mês anterior, a diferença havia sido de -3,4%.
  • 17,0% da população fora da força de trabalho apontou que gostaria de trabalhar, mas não procurou trabalho por conta da pandemia.

Tabela 1 – Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios COVID19 – Distrito Federal e Brasil – Novembro de 2020

Fonte: PNAD COVID19/IBGE. Elaboração: GECON/DIEPS/Codeplan.
¹ As taxas calculadas pela PNAD COVID19 são experimentais e não são compatíveis com outras pesquisas do IBGE.

De acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios COVID19¹, o Distrito Federal apresentou, em novembro de 2020, uma taxa de desocupação de 15,4%. Apesar de expressivo, esse valor serve apenas como balizador e não é comparável com outras taxas de desemprego, como a PNADCT ou a PED/DF. Mais interessante, porém, é a desagregação da população ocupada entre aqueles que foram ou não afastados² de seus trabalhos durante o período de referência. É importante ressaltar que os indivíduos que migraram para modalidades de trabalho remoto não são considerados afastados. O Gráfico 1 traz essa decomposição para a população ocupada do Distrito Federal.

Gráfico 1 – Decomposição da população ocupada, por condição de afastamento – Distrito Federal – Novembro de 2020

Fonte: PNAD COVID19/IBGE. Elaboração: GECON/DIEPS/Codeplan.

Entre as 1.331 mil pessoas ocupadas no DF em novembro, 76 mil (5,7%) foram afastadas de seus trabalhos. Esse valor representa o menor número de afastamentos desde o início do período contemplado pela pesquisa, tendo se reduzido gradualmente ao longo do ano. Desses indivíduos, 31 mil (40,1%) apontaram o distanciamento social como o motivo de seus afastamentos, sendo a primeira vez no ano que essa não foi a principal razão pelos afastamentos locais, com os demais 59,9% se devendo a outros motivos.

Esse quadro de trabalhadores afastados é significante, uma vez que 13,2% dessas pessoas tiveram suas remunerações suspensas em função desse afastamento. Esses indivíduos adentram a estatística de pessoal ocupado sem estar exercendo função remunerada, mascarando uma taxa de desocupação mais alta e prejudicando a massa de rendimento real local. Ainda assim, esse resultado equivale a 10 mil pessoas, o segundo valor mais baixo na série histórica da pesquisa, atrás apenas do mês de outubro (quando foi de 9 mil pessoas). Como base de comparação, no mês de maio, o número de afastados sem remuneração havia sido de 145 mil indivíduos.

É interessante ressaltar também a evolução do número de ocupados em trabalho remoto, que havia registrado crescimento entre maio e agosto, porém viu esse comportamento se reverter ao longo do último trimestre da pesquisa. Em novembro, o quadro de trabalhadores observado foi o mais baixo desde o início da pesquisa, representando 251 mil pessoas. Quando considerado conjuntamente com o aumento do número de trabalhadores ocupados não afastados no mês, esse comportamento pode indicar uma retomada de atividades presenciais por parte das empresas locais.

Uma comparação entre a massa de rendimento real habitualmente recebido e a aquela de rendimento real efetivamente recebido mostra uma diferença de -2,8% no Distrito Federal em novembro de 2020 (Gráfico 2). Essa diferença foi a quarta menor entre as UFs, cujo resultado mais negativo atingiu -8,4% no Rio de Janeiro, e representa melhora em relação a outubro, quando foi de -3,4%. Destaca-se que 22 das 27 as unidades federativas apresentaram uma melhora no indicador em relação ao mês anterior (as exceções foram o Amapá, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins). Ainda assim, o Distrito Federal e os estados apontaram diferenças negativas em novembro, ilustrando a contração no poder de consumo da população em decorrência do novo coronavírus.

Finalmente, os efeitos da pandemia sobre o mercado de trabalho são sentidos também fora do quadro da população ocupada. Apesar das melhoras em indicadores como o número de afastados e a porcentagem de afastados que mantiveram suas remunerações, a constrição econômica resultante do distanciamento social ainda cria barreiras à entrada no mercado de trabalho. Ainda assim, essas barreiras aparentam ter perdido resistência nos últimos meses.

Em novembro de 2020, das 938 mil pessoas no DF que se encontravam fora da força de trabalho, 159 mil (17,0%) apontaram que gostariam de trabalhar, mas não procuraram emprego em função da pandemia. No mês anterior, essa proporção havia sido de 18,5%. A taxa de participação local (a porcentagem de pessoas em idade de trabalhar que estão dentro da força de trabalho, ou seja, procuraram emprego nos últimos trinta dias) foi de 62,6%, a maior taxa observada desde o início da pesquisa, apontando um retorno da confiança da população em suas perspectivas de encontrar trabalho.

Gráfico 2 – Diferença entre massa de rendimento real habitual e efetivo – Unidades da Federação – Novembro de 2020

Fonte: PNAD COVID19/IBGE. Elaboração: GECON/DIEPS/Codeplan.


¹ Em junho de 2020, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) deu início à divulgação da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios COVID19, com dados referentes ao mês de maio deste ano, que tem como objetivo monitorar os impactos da pandemia da COVID-19 no mercado de trabalho brasileiro. Com periodicidade mensal para todas as UFs, a PNAD COVID19 traz informações mais imediatas e focadas no efeito da pandemia sobre o mercado de trabalho do que os acompanhamentos regulares do IBGE, como a PNAD Contínua Trimestral. É importante destacar, porém, que o IBGE ainda classifica essas estatísticas como experimentais, devendo ser vistas com cautela e não diretamente comparadas às tradicionalmente divulgadas pelo Instituto.

² São considerados afastados os indivíduos que, por razões temporárias, trabalharam menos de uma hora no período de referência.