Resumo

  • O volume de vendas no comércio do Distrito Federal se manteve estável em setembro de 2020, apresentando variação de -0,1% após quatro meses de crescimento.
  • No ano, capital acumula queda de 7,1% no volume de vendas em relação ao patamar de igual período de 2019.
  • Cinco segmentos, dos dez pesquisados pelo IBGE, apresentaram crescimento na variação mensal de setembro de 2020.
  • Em termos de variação, os Móveis e eletrodomésticos destacaram-se pelo crescimento de 88,8% no mês em relação a setembro de 2019. No ano, o segmento já acumula variação de +24,7%.
  • No Brasil, o comércio varejista ampliado observou, em setembro de 2020, alta de 1,2% na variação dessazonalizada do mês contra mês anterior e de 7,4% em relação a igual mês de 2019.

Variação no mês

O volume de vendas do comércio varejista ampliado da capital federal se manteve estável em setembro de 2020, apresentando variação de -0,1% ante o resultado do mês anterior. O percentual, já ajustado pela sazonalidade do período, representa a estabilização do indicador após quatro meses consecutivos de alta e sinaliza uma recuperação gradual e sustentada das atividades comerciais após um longo período de restrições ao funcionamento dos estabelecimentos comerciais em função da necessidade de refrear os casos de contágio pelo novo coronavírus no Distrito Federal. O desempenho distrital foi inferior ao nacional em setembro, uma vez que o Brasil verificou, na mesma base de comparação, um crescimento de 1,2%.

Quando o confronto é realizado com setembro de 2019, o resultado local é de leve crescimento, apontando variação de +0,8%. Já no acumulado no ano, o comércio do Distrito Federal acumula redução de 7,1%. Embora intensa, é importante destacar que essa contração tem se reduzido nos últimos meses após apontar variação de -11,0% em maio.

Quanto à trajetória recente de recuperação do comércio varejista ampliado do DF, o volume de vendas local sofreu um revés significativo em relação ao mesmo mês do ano anterior a partir de março, atingindo uma variação de -29,0% em abril. Os meses seguintes se mantiveram negativos, porém de forma gradualmente menos intensa até atingir o valor de +0,8% em setembro – ou seja, ultrapassar, mesmo que timidamente, o volume comercial praticado no mesmo período de 2019.

Vale reforçar que o diagnóstico feito em meses anteriores sobre as possíveis explicações desse setor ainda não ter se recuperado integralmente permanece. Afinal, as forças atuando sobre o mercado persistem em impor restrições à oferta, com a manutenção da suspensão de algumas atividades comerciais e limitações à capacidade de atendimento, e à demanda, dado o grande contingente de pessoas sem uma fonte de renda mensal e o respeito ao isolamento social. Esses fatos reforçam-se mutuamente e traduzem-se em menor consumo e, consequentemente, diminuição das vendas.

Desempenho em 12 meses

No acumulado em 12 meses, as consecutivas contrações mensais entre março e julho provocaram uma acentuação dos resultados negativos sobre o volume de vendas do comércio varejista ampliado da região. Entre outubro de 2019 e setembro de 2020, esse indicador registra um encolhimento de 4,0% em relação ao mesmo período do ano anterior.

No Brasil, o resultado também é de contração das atividades comerciais, porém de forma menos intensa do que a realidade distrital. A variação acumulada em 12 meses a nível nacional foi de -1,4% em setembro de 2020.


Atividades comerciais

A análise detalhada por tipo de atividade comercial revela que cinco segmentos, dos dez pesquisados pelo IBGE, experimentaram crescimento em seu volume de vendas em setembro de 2020.

A maior expansão se protagonizou no segmento Móveis e eletrodomésticos, que cresceu 88,8% em relação a setembro de 2019, principalmente em função das vendas de Eletrodomésticos (variação de +99,1%). Esse setor vem se destacando desde junho e já acumula crescimento de 24,7% no ano apesar de apontar retrações de janeiro a maio.

O comércio de Material de construção, importante motor da economia local, também apresentou expansão intensa em setembro, crescendo 26,6% em relação ao mesmo mês do ano anterior. Esse segmento merece atenção por indicar uma maior procura por produtos como tijolos, cimento e telhas e, por conseguinte, a retomada de obras e reformas residenciais por parte das famílias do Distrito Federal. Essa situação chegou a provocar, em julho, falta de materiais em algumas localidades ocasionada, de acordo com a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), pela conjunção de um ritmo reduzido na indústria que produz esses bens e da recuperação da demanda.

Finalmente, os Equipamentos e materiais para escritório (+12,2%), Outros artigos de uso pessoal (10,3%) e Artigos farmacêuticos (+4,8%) completam as variações positivas do período.

Por outro lado, as maiores retrações foram registradas em estabelecimentos que comercializam Livros, jornais, revistas e papelaria (-28,5%) e Tecidos, vestuário e calçados (-19,1%), dois segmentos que apresentam queda desde fevereiro. A retração nas vendas de Combustíveis e lubrificantes (-17,4%) e Veículos e motocicletas (-11,6%) podem ser parcialmente explicadas pela queda no consumo de combustível devido à migração para regimes de trabalho remoto e o menor deslocamento das pessoas que estão cumprindo isolamento social. Por fim, a contração de 11,7% no comércio de Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios e fumo pode estar associada à alta recente nos preços de diversos bens alimentícios.


A Pesquisa Mensal de Comércio é realizada pelo IBGE e busca analisar o desempenho conjuntural do comércio varejista. O comércio varejista ampliado agrega ao grupamento do varejo propriamente dito o comércio de Veículos e motos, partes e peças e de Material de construção. Todos os dados apresentados têm como fonte o IBGE.


Última atualização: 11/11/2020