Resumo

  • O Distrito Federal observou um crescimento de 11,8% em julho de 2020, mantendo uma trajetória ascendente pelo terceiro mês consecutivo.
  • No ano, capital acumula queda de 9,1% no volume de vendas em relação ao patamar de igual período de 2019.
  • Seis segmentos, dos dez pesquisados pelo IBGE, apresentaram queda na variação mensal de julho de 2020.
  • Em termos de variação, os Eletrodomésticos destacaram-se pelo crescimento de 113,5%, o maior percentual positivo desde o início da série histórica em 2012.
  • No Brasil, o comércio varejista ampliado observou, em julho de 2020, alta de +7,2% na variação dessazonalizada do mês contra mês anterior e de +1,6% em relação a igual mês de 2019.

Variação no mês

O volume de vendas do comércio varejista ampliado da capital federal cresceu 11,8% em julho de 2020 ante o resultado do mês anterior (Tabela 01). O percentual, já ajustado pela sazonalidade do período, representa a terceira alta consecutiva do indicador e sinaliza uma recuperação gradual e sustentada das atividades comerciais após um longo período de restrições ao seu funcionamento em função da necessidade de refrear os casos de contágio pelo novo coronavírus no Distrito Federal. Cabe destacar ainda que o desempenho distrital foi superior ao nacional, uma vez que, na mesma base de comparação, o Brasil verificou um incremento de 7,2%.

No entanto, o patamar de vendas ainda se encontra em nível inferior ao observado em anos anteriores. Quando comparados os volumes de venda de junho de 2020 com o de junho de 2019, verifica-se que houve uma variação de -8,2% no comércio varejista ampliado do Distrito Federal. E, no acumulado no ano, o percentual é de -10,5%.

Quando o confronto é realizado com julho de 2019, o cenário ganha outras proporções e evidencia que, ainda que o segmento tenha experimentado altas expressivas, o volume de vendas do mês de julho encontra-se 0,6% abaixo do verificado em igual mês do ano anterior. As perdas acumuladas no ano, dessa forma, estão sendo, paulatinamente, reduzidas, mas são estimadas em 9,1%.

Vale reforçar que o diagnóstico feito em meses anteriores sobre as possíveis explicações desse segmento ainda não ter se recuperado integralmente permanece. Afinal, as forças atuando sobre o mercado persistem em impor restrições à oferta, com a manutenção da suspensão de algumas atividades comerciais e limitações à capacidade de atendimento, e à demanda, dado o grande contingente de pessoas sem uma fonte de renda mensal e o respeito ao isolamento social. Esses fatos reforçam-se mutuamente e traduzem-se em menor consumo e, consequentemente, diminuição das vendas.

Desempenho em 12 meses

No acumulado em 12 meses, observa-se uma acentuação dos resultados negativos sobre o volume de vendas do comércio varejista ampliado da região. Entre agosto de 2019 e julho de 2020, esse indicador registra um encolhimento de 3,4% em relação ao mesmo período do ano anterior, enquanto, em junho, essa contração era de 2,8%. Esse comportamento é reflexo do fato de que a capital do país continua a ter resultados inferiores aos de 2019. No Brasil, o movimento é semelhante, com a ampliação da variação acumulada em 12 meses de -1,4%, no período findo em junho, para -1,9%, no terminado em julho de 2020.

Atividades comerciais

A análise detalhada por tipo de atividade comercial revela que seis segmentos, dos dez pesquisados pelo IBGE, experimentaram queda no volume de vendas em julho de 2020. Entre esses, os maiores prejuízos foram registrados em estabelecimentos que comercializam Tecidos, vestuário e calçados (-39,9%), Livros, jornais, revistas e papelaria (-35,5%) e Equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação (-30,5%), como mostrado no Gráfico 03. Entre outros fatores, a performance insatisfatória dessas categorias por estar relacionada com o fato desses produtos não serem essenciais e, portanto, podem ter o seu consumo adiado. 

Esses decréscimos foram, parcialmente, neutralizados pelo crescimento nas vendas de Eletrodomésticos (+113,5%), Material de construção (+24,0%), Móveis (+21,9%), Artigos farmacêuticos (+8,3%) e Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (+2,3%). Nesse grupo de atividades comerciais, destacam-se o volume de vendas dos estabelecimentos dedicados à comercialização de produtos alimentícios, com seis altas consecutivas em 2020, e a venda de eletrodomésticos, que obteve a maior variação positiva desde o início da série histórica em 2012.

O aumento no volume de vendas de Material de construção também merece atenção por indicar uma maior procura por produtos como tijolos, cimento e telhas e, por conseguinte, a retomada de obras e reformas residenciais por parte das famílias do DF. Essa situação chegou a provocar falta de materiais em algumas localidades ocasionada, de acordo com a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), pela conjunção de um ritmo reduzido na indústria que produz esses bens e da recuperação da demanda.


A Pesquisa Mensal de Comércio é realizada pelo IBGE e busca analisar o desempenho conjuntural do comércio varejista. O comércio varejista ampliado agrega ao grupamento do varejo propriamente dito o comércio de Veículos e motos, partes e peças e de Material de construção. Todos os dados apresentados têm como fonte o IBGE.

Última atualização: 11/09/2020