Economia Brasileira

O panorama da economia brasileira indica que o país se encontra no início de um ciclo de contração do nível de atividade produtiva que irá afetar, principalmente, a Indústria nacional e o setor de Serviços, com destaque para o segmento de Comércio.

O PIB do Brasil, divulgado pelo IBGE, contraiu -0,3% no 1º trimestre de 2020 em relação ao mesmo período do ano anterior e é importante mencionar que esse resultado contém apenas os indícios iniciais do efeito negativo provocado pelas medidas de combate à pandemia do novo coronavírus, que foram implementadas a partir da segunda quinzena de março. No acumulado em quatro trimestres, o PIB nacional apresentou crescimento de +0,9% no período findo em março de 2020.

Gráfico 1 – Produto Interno Bruto: Variação no trimestre contra o mesmo trimestre do ano anterior – Brasil – 1º trimestre de 2020 – %

Fonte: IBGE. Elaboração: GECON/DIEPS/CODEPLAN.

Pela ótica da produção, apenas a Agropecuária registrou variação positiva entre os três grandes setores, nos primeiros três meses de 2020, de +1,9%, quando comparado ao mesmo período de 2019. No sentido contrário, o setor de Serviços foi o que apresentou o maior desaquecimento no período, com uma queda de -0,5%. Pela ótica das despesas, chama a atenção o crescimento de +4,3% da Formação Bruta de Capital Fixo, cujos gastos representam investimentos em capital produtivo no país. Essa alta ajuda a também explicar a elevação do valor das Importações (+5,1%) verificada no período.

Economia do Distrito Federal – Atividade Econômica

A leitura do Idecon-DF apresenta um quadro de desaceleração da recuperação econômica local. Na comparação com o mesmo trimestre de 2019, houve avanço de 1,2% do indicador.

Gráfico 2 – Idecon-DF: Variação trimestral do nível de atividade econômica, por segmento – Trimestre contra mesmo trimestre do ano anterior –1º trimestre de 2020 – %

¹ Extrativa mineral e Eletricidade, gás, água, esgoto e limpeza urbana.
² Informação e Comunicação; Alojamento e alimentação; Atividades profissionais, científicas e técnicas, administrativas e serviços complementares; Artes, cultura, esporte e recreação e outras atividades de serviços; Educação e saúde mercantis; e Serviços domésticos; Transporte, armazenagem e correio e Atividades imobiliárias.

Fonte: IBGE e CODEPLAN. Elaboração: GECON/DIEPS/CODEPLAN.  

No que diz respeito aos grandes setores da atividade, a Agropecuária variou +2,3%, a Indústria +0,5% e os Serviços +1,2%. Os destaques vão para a Construção, que manteve sua trajetória recente de crescimento, com variação de +0,8%, e o Comércio, que apresentou expansão simétrica, mas bem abaixo dos +4,5% realizados no trimestre anterior.  

Com esse resultado, a economia do Distrito Federal acumula em quatro trimestres alta de +1,8%. A recuperação da Indústria e os bons números de alguns segmentos do setor privado de Serviços foram fatores essenciais para o alcance desse resultado.

Gráfico 3 – PIB-Brasil e Idecon-DF: Variação do nível de atividade econômica – Taxa acumulada em quatro trimestres contra igual período do ano anterior – 1º trimestre de 2015 a 1º trimestre de 2020 – %

Fonte: IBGE e CODEPLAN. Elaboração: GECON/DIEPS/CODEPLAN.  

As pesquisas setoriais, divulgadas pelo IBGE, auxiliam a entender em parte esse comportamento. De um lado, a Pesquisa Mensal do Comércio Ampliado (PMC) aponta negativa de -1,3% no volume de transações do trimestre. De outro, a Pesquisa Mensal dos Serviços (PMS), registrou alta de 0,5% no mesmo período, sendo puxada pelo segmento de Transportes.

Entre os indicadores auxiliares, novamente se destaca a expansão do saldo de crédito a pessoas físicas, que influencia positivamente o consumo das famílias no Distrito Federal. Já um ponto negativo é o aumento da taxa de inadimplência local, bem como o crescimento pontual das importações, que eleva o déficit da balança comercial local.

Gráfico 4 – Crédito concedido: Saldo das operações de crédito concedido a pessoas físicas e pessoas jurídicas – Distrito Federal – janeiro de 2016 a março de 2020 – R$, a preços de março de 2020

Fonte: Séries históricas do BCB. Elaboração: GECON/DIEPS/CODEPLAN.

Economia do Distrito Federal – Análise de Preços

A inflação do Distrito Federal mensurada pelo IPCA foi nula no 1º trimestre de 2020. A estabilidade registrada se deveu à contribuição positiva de grupos como Educação e Alimentação e bebidas, e a quedas observadas nos grupos Transportes (-0,50 p.p.),  Habitação e Vestuário (-0,03 p.p.). O comportamento dos preços traz indícios iniciais do impacto das medidas de contenção da disseminação do novo coronavírus sobre a economia da região. No acumulado de 12 meses, o IPCA de Brasília (DF) observou uma desaceleração que aproximou o indicador do limite inferior da banda de inflação, alcançando +2,93%.

Gráfico 5 – IPCA: Variação acumulada em 12 meses do nível de preços – Brasil e Brasília (DF) – janeiro de 2016 a março de 2020 – %

Fonte: IBGE. Elaboração: GECON/DIEPS/CODEPLAN.

Economia do Distrito Federal – Mercado de Trabalho

O mercado de trabalho do DF apresentou um desempenho negativo no 1º trimestre de 2020, quando comparado com o 4º trimestre de 2019, com aumento da taxa de desemprego na região e a perda líquida de vagas de emprego com carteira assinada. De acordo com os dados divulgados pela PNADCT, o desemprego local saiu de 12,9% para 12,8%, considerando o ajuste sazonal, mas poderia ter alcançado valor muito maior se não fosse o crescimento significativo do número de inativos.

Gráfico 6 – Taxa de desocupação – PNADCT – 1º trimestre de 2016 a 1º trimestre de 2020 – (%) – Distrito Federal

Fonte: IBGE. Elaboração: GECON/DIEPS/CODEPLAN. *Ajuste sazonal pelo método ARIMA-X13.

A redução de vagas formais de emprego é também identificada pelo Novo Caged, que evidenciou que o número de desligamentos ocorridos no Distrito Federal no 1º trimestre de 2020 excedeu a quantidade de postos de trabalho criados em 2.503 vagas. Os setores econômicos mais afetados foram o de Comércio (-2.438 vagas) e o de Serviços (-1.089 vagas). No período, apenas as atividades de Construção (+621 vagas), de Agricultura (+255 vagas) e de Indústria (+148 vagas) tiveram saldos positivos.

Gráfico 7 – CAGED: saldo entre admitidos (+1) e desligados (-1) por grandes setores– Distrito Federal – 1º trimestre de 2018 a 1º trimestre de 2020 – número de vagas

Fonte: CAGED/ME. Elaboração: GECON/DIEPS/CODEPLAN.

O comportamento evidenciado é, em parte, explicado pelo impacto negativo que as ações de suspensão de atividades comerciais e de restrição à circulação de pessoas para combater a propagação do novo coronavírus, adotadas a partir da segunda quinzena de março¹, tiveram sobre a economia e, consequentemente, sobre o mercado de trabalho local.

¹ As medidas de restrição à circulação de pessoas e às atividades comerciais no Distrito Federal iniciaram-se com a publicação do Decreto nº 40.509, de 11 de março de 2020, que suspendeu as aulas na região e eventos de qualquer natureza com público superior a cem pessoas; do Decreto nº 40.520, de 14 de março de 2020, que prorrogou esse período de suspensão dessas atividades; e o do Decreto nº 40.537, de 18 de março de 2020, que estabeleceu uma suspensão mais generalista das atividades comerciais da região. 


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