A economia do Distrito Federal se manteve estável no quarto trimestre de 2020, variando +0,2% em relação ao mesmo trimestre de 2019, de acordo com os dados do Idecon-DF. O desempenho é resultado do crescimento da Agropecuária e Indústria, cujos indicadores avançaram 3,8% e 2,5%, respectivamente. Já o setor de Serviços apresentou estabilidade (variação de +0,1%) na mesma base de comparação.

Já no acumulado do ano de 2020, a capital federal apresenta variação negativa de -0,8%. As medidas restritivas às atividades comerciais do Distrito Federal adotadas para combater a disseminação do novo coronavírus na região, adotadas no final do primeiro trimestre, foram sendo flexibilizadas gradualmente ao longo dos meses seguintes. Dessa forma, os prejuízos à economia local concentraram-se no segundo trimestre de 2020, com indícios de recuperação no terceiro e um movimento de estabilização no quarto. Ainda assim, o resultado foi superior ao observado no cenário nacional, onde a variação foi de -4,1% no ano.

Gráfico 1 – Nível de atividade econômica: PIB-Brasil e Idecon-DF – Taxa acumulada em quatro trimestres contra igual período do ano anterior – 1T2016 a 4T2020 – Variação (%)

Fonte: IBGE e Codeplan. Elaboração: GECON/DIEPS/CODEPLAN.

O resultado da economia distrital no ano de 2020 foi influenciada pela retração de 1,3% na Indústria e de 0,8% nos Serviços. A Agropecuária foi o único setor a apresentar crescimento no período, com expansão de 3,0%.

Gráfico 2 – Nível de atividade econômica: PIB-Brasil e Idecon-DF – Taxa acumulada em quatro trimestres contra igual período do ano anterior, por setor de atividade – 1T2016 a 4T2020 – Variação (%)

¹ Extrativa mineral e Eletricidade, gás, água, esgoto e limpeza urbana.
² Informação e Comunicação; Alojamento e alimentação; Atividades profissionais, científicas e técnicas, administrativas e serviços complementares; Artes, cultura, esporte e recreação e outras atividades de serviços; Educação e saúde mercantis; e Serviços domésticos; Transporte, armazenagem e correio e Atividades imobiliárias.
Fonte: Codeplan. Elaboração: GECON/DIEPS/CODEPLAN

Atividade Econômica do Distrito Federal

O volume de serviços oferecidos na capital do país, em queda desde o início de 2019, apresentou resultados negativos agravados pela pandemia. As restrições impostas ao funcionamento dos estabelecimentos comerciais e o isolamento social, fizeram com que, no ano de 2020, o segmento de Serviços acumulasse uma queda de 10,5%, de acordo com a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), também divulgada pelo IBGE. A única categoria que sustenta um resultado positivo no ano de 2020 é a de Outros serviços, enquanto as categorias de Serviços prestados às famílias e de Transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio foram decisivas para o baixo desempenho do setor de serviços na região.

O desempenho do comércio foi similar. De acordo com a Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), em 2020, o Distrito Federal variou negativamente em 5,2%, resultado que só não foi mais intenso dado o crescimento da venda de Móveis e eletrodomésticosMateriais de construção e Artigos farmacêuticos.

Gráfico 3 – Variação do volume de serviços (PMS) e do volume do comércio varejista ampliado (PMC) acumulado em 12 meses – Distrito Federal – %

Fonte: IBGE. Elaboração: GECON/DIEPS/CODEPLAN.

Desempenho do mercado de trabalho do Distrito Federal

O mercado de trabalho do Distrito Federal apresentou melhora no quarto trimestre de 2020 quando comparado ao trimestre anterior, com queda da taxa de desemprego e aumento do número de ocupados. De acordo com os dados da Pesquisa de Emprego e Desemprego no Distrito Federal (PED/DF), o desemprego local encerrou o ano em 18,0%, ante uma taxa de 18,4% em setembro, mas poderia ter sido ainda menor se não fosse o crescimento do número de indivíduos que passaram a procurar um emprego na capital federal.

Gráfico 4 – PED: Taxa de desocupação e de participação (%) – 1º trimestre de 2019 a 4º trimestre de 2020 – Distrito Federal

Fonte: Pesquisa de Emprego e Desemprego no Distrito Federal (PED/DF). Convênio CODEPLAN-DIEESE. Elaboração: GECON/DIEPS/CODEPLAN.
*Não houve divulgação da PED entre setembro de 2019 e março de 2020.

Desempenho dos preços no Distrito Federal

A inflação no Distrito Federal, mensurada pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), acelerou no quarto trimestre de 2020, tendo registrado alta de 2,51% ante os 1,29% verificados no trimestre anterior. Esse resultado pode ser atribuído, em parte, ao comportamento do preço da energia elétrica residencial, que sofreu alta de 10,72% em dezembro, após ter ficado estável o restante do ano de 2020.

No acumulado do ano, a capital federal registrou alta de 3,40%, a menor variação entre as regiões pesquisadas pelo IBGE e inferior, também, à inflação nacional, que atingiu 4,52%. O destaque é dado à persistente inflação no grupo de Alimentação e Bebidas, cuja variação de 10,78% no ano resultou em um acréscimo de 1,67 p.p. ao índice geral. É importante destacar que o INPC fechou o ano em 4,22%, percentual bastante acima do captado pelo IPCA. Essa situação, que não é observada desde 2017, significa que as famílias de mais baixa renda estão enfrentando uma alta de preços mais intensa que a maior parte da população brasiliense.

Gráfico 5 – INPC e IPCA: Variação acumulada em 12 meses do nível de preços – Brasília (DF) – janeiro de 2016 a dezembro de 2020 – %

Fonte: IBGE. Elaboração: GECON/DIEPS/CODEPLAN.

É possível identificar dois momentos distintos de pressão para a alta dos preços dos alimentos (Gráfico 6). O primeiro, situado entre fevereiro e abril, foi motivado por um significativo incremento da demanda por produtos alimentares em função da pandemia. Como as refeições passaram a ser feitas em casa, houve a necessidade de se comprar mais alimentos. Posteriormente, entre julho e novembro, concomitante ao arrefecimento da demanda houve uma diminuição da oferta interna de alguns produtos, dentre os quais podem-se citar o arroz, o óleo de soja e carnes, estimulada pelo aumento das exportações.

Gráfico 6 – IPCA: Evolução da variação mensal da inflação do grupo de alimentação e bebidas – Brasil e Distrito Federal – 2020 – %

Fonte: IBGE. Elaboração: GECON/DIEPS/CODEPLAN.

Considerações finais

O ano de 2020 foi de grandes desafios para a economia. Diante da persistência da crise de saúde mundial, o remédio adotado para controlar a disseminação da Covid-19 produziu efeitos colaterais negativos sobre o nível de atividade produtiva ao impor obstáculos ao funcionamento dos estabelecimentos comercias, à prestação de serviços e à circulação de pessoas.

Nesse cenário, o desempenho dos mercados esteve bastante atrelado à trajetória do número de novos casos e de mortes de forma que, quando esses caíram, havia incentivo a uma maior flexibilização das restrições e, consequentemente, a expansão da oferta e da demanda locais, favorecendo o bom desempenho dos indicadores econômicos. Com o recrudescimento da pandemia e o fim dos auxílios financeiros emergenciais concedidos à população e às empresas, porém, as incertezas voltaram a permear as expectativas dos agentes econômicos.

A avaliação realizada orienta a conclusão que a pandemia continua a impactar negativamente os indicadores socioeconômicos no cenário externo, nacional e do Distrito Federal, impondo obstáculos a uma recuperação mais robusta do nível de atividade econômica. O momento, no entanto, se difere daquele verificado no primeiro semestre de 2020 pelo fato de que, agora, há vacina para ajudar a enfrentar a pandemia. Assim, é factível esperar que a intensidade dos efeitos sobre a economia seja menor.


¹ A PED/DF teve sua divulgação suspensa entre setembro de 2019 e março de 2020 por motivos técnicos. Nesse período, a análise do mercado de trabalho do Distrito Federal foi substituída pelas informações divulgadas pela PNADCT, ainda que essas pesquisas não sejam comparáveis, com a finalidade de manter o acompanhamento desse indicador. Com o retorno da pesquisa pela Codeplan e pelo Dieese, foi possível reestabelecer a análise da Pesquisa de Emprego e Desemprego.