IPCA – INPC: Inflação no Distrito Federal foi de 0,93% em fevereiro

1 – ÍNDICE NACIONAL DE PREÇOS AO CONSUMIDOR AMPLO – IPCA

Os preços praticados no Distrito Federal perceberam um aumento de 0,93% em fevereiro de 2022, evidenciando uma aceleração da inflação na capital em relação ao mês anterior, quando sua variação foi de +0,49%. Entre as 16 regiões pesquisadas pelo IBGE, a capital federal apresentou a sétima menor variação, empatada com Rio Branco. O resultado também ficou abaixo da variação calculada para o Brasil (1,01%). No acumulado em 12 meses, a alta dos preços da capital está em 9,55% e continua acima do teto da meta de inflação para o ano de 2022 (+5,00%), porém abaixo do percentual brasileiro (+10,54%).

Gráfico 1 – IPCA – Variação mensal e acumulada em 12 meses (%) – Brasil e Regiões Pesquisadas – fevereiro de 2022

Fonte: IBGE. Elaboração: Codeplan/Gecon-Nupre

O grupo de maior contribuição para o resultado no mês foi o de Educação (+0,39 ponto percentual, com variação de +5,61%), que tradicionalmente observa um reajuste nas mensalidades de escolas e cursos diversos em fevereiro. Assim, a elevação de 7,02% nos preços de Cursos regulares levou a um aumento de 0,34 p.p. no índice geral, refletindo a alta no Ensino superior (+8,28% e +0,14 p.p.) e no Ensino fundamental (+6,69% e +0,10 p.p.). O grupo de Alimentação e bebidas também gerou pressão inflacionária em fevereiro (+0,22 p.p.), influenciado pela alta de 8,00% nos preços das Frutas (+0,07 p.p.).

Gráfico 2 – IPCA – Variação acumulada no ano (%) e contribuição (p.p.), por grupo – Distrito Federal – fevereiro de 2022

Fonte: IBGE/ Elaboração: Codeplan/Gecon-Nupre

Os Transportes (-0,19% ou -0,05 p.p.), um dos principais focos da pressão inflacionária ao longo de 2021, foi o único grupo a apresentar retração em fevereiro e contribuiu para que a variação dos preços no mês não fosse ainda maior. É a terceira variação negativa consecutiva verificada por esse grupo na capital federal. O comportamento do grupo é explicado, em parte, pela queda observada nos Combustíveis (-0,80% ou -0,08 p.p.), em função da deflação na Gasolina (-0,87% ou -0,08 p.p.) e nos preços da Passagem aérea (-4,47 % ou -0,04 p.p.). Apesar desse resultado positivo, o conflito armado entre Rússia e Ucrânia, que teve início no final do mês de fevereiro de 2022, deve gerar pressão nos preços internacionais do petróleo e levar a novas altas dos combustíveis nos próximos meses.

Tabela 1 – IPCA – 10 maiores contribuições positivas (azul) e negativas (laranja) e suas respectivas variações acumuladas no ano, por subitem – Distrito Federal – fevereiro de 2022

Fonte: IBGE/ Elaboração: Codeplan/Gecon-Nupre

2 – ÍNDICE NACIONAL DE PREÇOS AO CONSUMIDOR – INPC

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), indicador que mede a inflação incidente sobre as famílias com rendimentos entre um e cinco salários mínimos, registrou uma variação positiva de 0,96% em fevereiro de 2022, superando levemente a variação observada pelo IPCA (+0,93%) no mês. A magnitude de aumento dos preços na capital federal é novamente a sétima menor entre as regiões pesquisadas pelo IBGE e ficou próxima da média nacional (+1,00%). No acumulado em 12 meses, a inflação desse indicador foi de +10,17% na capital federal e de +10,80% para a média nacional .

Gráfico 3 – INPC – Variação mensal e acumulada em 12 meses (%) – Brasil e Regiões Pesquisadas – fevereiro de 2022

Fonte: IBGE/ Elaboração: Codeplan/Gecon-Nupre

Todos os nove grupos acompanhados pelo IBGE apresentaram variação positiva, colaborando para elevar os preços na capital federal. As maiores contribuições ficaram a cargo dos grupos de Alimentação e bebidas (+0,27 p.p.) e de Educação (+0,26 p.p.). Os demais grupos foram Vestuário (+0,10 p.p.), Despesas pessoais (+0,08 p.p.), Saúde e cuidados pessoais (+0,08 p.p.), Habitação (+0,07 p.p.), Artigos de residência (+0,05 p.p.), Comunicação (+0,04 p.p.) e Transportes (+0,01 p.p.), que passaram a apontar contribuição positiva no INPC dado o peso menor da Passagem aérea e maior do Óleo diesel, que teve aumento de 1,46% no mês.

Gráfico 4 – INPC – Variação acumulada no ano (%) e contribuição (p.p.), por grupo – Brasília – fevereiro de 2022

Fonte: IBGE/ Elaboração: Codeplan/Gecon-Nupre

Tabela 2 – INPC – 10 maiores contribuições positivas (azul) e negativas (laranja) e suas respectivas variações acumuladas no ano, por item – Distrito Federal – fevereiro de 2022

Fonte: IBGE/ Elaboração: Codeplan/Gecon-Nupre

3 – IPCA POR FAIXA DE RENDA DO DISTRITO FEDERAL

A composição da pressão inflacionária afeta de formas diferentes os estratos sociais da capital federal. Por isso, a Codeplan passou a estimar, a partir dos dados divulgados pelo IBGE, o impacto do aumento dos preços sobre as diferentes faixas de renda das famílias¹ do Distrito Federal. Com base nesse indicador, foi possível identificar que os 25% mais pobres do DF enfrentaram uma alta de preços mais intensa, com um incremento de 0,89% em fevereiro de 2022. Isso porque essa faixa tem uma participação mais elevada de alimentos em sua cesta de consumo e menor de Gasolina e Passagem aérea, principais pressões deflacionárias no mês corrente. As faixas de renda Média-baixa e Média-alta tiveram inflações de 0,55% e 0,59%, respectivamente. Já os 25% de mais alta renda da capital observaram um percentual de +0,60% nos preços de sua cesta de bens e serviços.

Gráfico 5 – IPCA por faixa de renda – Variação acumulada no ano (%) – Distrito Federal – janeiro de 2022

Fonte: GECON/DIEPS/CODEPLAN com dados do IBGE.

4 –  ÍNDICE CEASA DO DISTRITO FEDERAL

O ICDF de fevereiro de 2022 registrou variação positiva, 9,46%, em relação ao mês anterior. O Setor de Legumes foi o que mais variou positivamente, 22,79%, seguido pelo Setor de Verduras, 15,34%, do Setor de Frutas, 3,73% e do Setor de Ovos e Grãos, 7,52%.

As chuvas limitaram a produção da safra de verão de batata lisa, 41,86%, assim como a produção local de vagem, 45,25%, semelhante são os casos de frutas, como melão, 20,84%, e limão tahiti, 20,73% e das verduras, como couve, 58,67%, repolho, 36%, e agrião, 31,58%.

As temperaturas mais elevadas e a incidência de chuvas devem continuar exercendo influência sobre a produção na região. Ademais, as incertezas aumentam com as restrições comerciais de fertilizantes impostas mediante conflitos geopolíticos.

5 –  CONSIDERAÇÕES FINAIS

Inflação de fevereiro de 2022

  • IPCA do DF registra inflação de +0,93% em fevereiro, sétimo menor resultado entre as regiões pesquisadas pelo IBGE (empatado com Rio Branco). O resultado nacional foi de +1,01%. No acumulado em 12 meses, apresenta a segunda menor inflação, com +9,55%;
  • INPC apresenta variação de +0,96%, sendo a sétima menor variação no mês. No acumulado em 12 meses (+10,17%), aparece como a terceira menor inflação;
  • A alta do IPCA no ano veio principalmente dos grupos de Educação (+0,39 p.p.) e  Alimentação e bebidas (+0,22 p.p.). Os Transportes (-0,05 p.p.) seguraram uma maior alta no mês, impulsionados por uma queda de 0,87% no preço da Gasolina (-0,08 p.p.) e de 4,47% na Passagem aérea (-0,04 p.p.).
  • O índice de difusão foi de 70,7%, com oito dos nove grupos de produtos monitorados pelo IBGE apresentando alta em seus preços no mês;
  • Entre as faixas de renda, a faixa Baixa apresentou uma inflação de 0,89% no mês, a Média-baixa de 0,55%, a Média-alta de 0,59% e a Alta de 0,60%.

Para os próximos meses

  • Reajuste nos preços de gasolina, diesel e gás de botijão em função de pressões externas.
  • Próxima reunião do COPOM nos dias 15 e 16 de março, com expectativa de nova elevação da taxa SELIC.
  • Expectativa de sazonalidade para março.

¹ A partir de janeiro de 2021, a Codeplan passou a elaborar e divulgar a inflação distrital para cada quartil de renda. Para mais informações, o estudo completo pode ser encontrado em: http://conjunturaeconomica.codeplan.df.gov.br/2021/ 02/09/ipca_especial-divulgacao-do-ipca-por-faixa-de-renda-do-df/